Ilha de Itaparica-Ba

domingo, 15 de agosto de 2010

Releitura da história de Caim e Abel

Caim, o primeiro ateu.


Adão:
Eva, você não acha que já está na hora de conversarmos com nossos filhos?

Eva:
Sobre o que meu amor?

Adão:
Sobre a questão religiosa. Já está na hora de começarem a fazer o que nossos antepassados sempre fizeram.

Eva:
Adão, desde que fugimos porque meu pai não queria nosso casamento combinamos que iríamos dizer para eles que somos os únicos habitantes desta terra, então não diga nada sobre nossos antepassados.

Adão:
É mesmo, tenho que me vigiar quanto ao que digo. E o que você acha de Caim?

Eva:
O que tem Caim?

Adão:
Abel, assim como eu ensinei, iniciou na caça e agora aprendeu a criar os animais em cativeiro, menos mal, não precisa caçar mas continua matando animais para nosso alimento e para que possamos oferecer aos deuses. Agora Caim não, olha o que ele está fazendo.
Caim resolveu pegar sementes de plantas e jogar ao redor da casa, diz ele que se chama agricultura.
Tudo bem que agora temos frutos para comer perto de casa mas, isso não está correto.
Se todos resolvem fazer como Caim não teremos mais animais para oferecer aos deuses.

Eva:
Psiiu, eles estão chegando.

Caim:
Pai, pai, você nem imagina o que acabei de colher, olha, é muito gostoso, você retira a casca com cuidado porque se respingar no olho arde, é cheio de pedacinhos, mas a semente não pode comer porque tenho que plantar para ter novos pés.
Abel:
Caim, me dá um pouco.

Caim:
Claro, tome.

Adão:
Meninos, preciso conversar com vocês.
Olha só, já está na hora de vocês oferecerem o sacrifício aos deuses.

Caim:
Sacrifício? Eu já vi o senhor fazer, já ouvi sobre isto, mas pai, eu não vejo nenhum sentido nisto.
Pra que devemos fazer isto?
Porque matar os pobres dos animais assim?
Os animais são com nós, não merecem morrer para servirem de alimentos para criaturas que não existem.

Adão:
Caim, não pode ir contra seu pai, além do mais você está indo contra os deuses, deixa disto menino. Agora temos que oferecer um sacrifício em dobro para que eles não te castiguem com seus raios de fogo.

Caim pensou:
"Tudo bem, mas eu vou fazer uma coisa diferente e vou provar para eles que os deuses não existem e que isto é uma perda de tempo".

Abel:
Pai, já preparei tudo, estou levando o melhor animal da minha criação.

Adão:
Que bom Abel, e você Caim?

Caim:
Como o monte do sacrifício é longe eu vou encontrar um animal pelo caminho.

Adão:
Caim, vê se não vai aprontar meu filho, cuidado com os deuses.

E assim foram Abel, com seu animal para ser sacrificado e Caim, em seguida, atrás de seu irmão, com uma caixa, o que despertou a curiosidade de Abel. E chegando no local do sacrifício, Abel mata o animal e deixa-o sobre a pedra do sacrifício.

Caim, por sua vez coloca a caixa e tira as folhas de cima, havia ali muitos e belos frutos que colhera das suas plantações.


Abel:
Caim meu irmão, o que está fazendo, os deuses vão te castigar.

Caim:
Deixa de besteira Abel, não existem deuses, você não percebeu que papai e mamãe estão velhos demais e estão vendo e ouvindo coisas?

Abel:
Vamos ver então, pois o meu animal já está aí, amanhã você vai ver se os deuses existem ou não quando eles tiverem comido a minha oferenda e ignorado a sua.
Caim e Abel retornaram à sua casa.
Enquanto Abel voltou a cuidar de seu rebanho porque a oferenda foi colocada na pedra do sacrifício ainda com o sol no meio do céu, Caim, dizendo que ia procurar mais sementes foi de encontro ao local do sacrifício. Chegando lá, viu algo impressionante, viu várias aves grandes e pretas brigando entre si na disputa pelo animal de Abel, enquanto apenas pequenos animais se interessavam por suas frutas e não fazia muita diferença aquilo que comiam.
Caim retorna no final da tarde e todos se põe a dormir.
No dia seguinte lá vão os dois para comprovar se os deuses haviam gostado das oferendas.

Abel:
Caim, você está vendo, os deuses gostaram da minha oferenda, não tem mais nada dela aqui. Quanto à sua, está toda aí ainda.
Há, há, há, viu, os deuses gostam mais de mim.

Caim:
Abel, deixa de ser tonto, foram as grandes aves negras que comeram.

Abel:
Como você pode dizer isto, você não pode falar aquilo que não viu.

Caim:
Abel, eu vi, eu vim aqui ontem antes de escurecer e as aves estavam devorando o animal morto.

Abel:
Eu não posso acreditar nisto, você está inventando, você está com inveja porque os deuses gostam de mim e não de você.

Caim:
A é? Os deuses então não gostam dos frutos não é? Os deuses gostam de carne? Então vamos lá, vou colocar você aqui no lugar dos animais para ver se é bom virar comida dos deuses. Vem cá, isso, aqui, pronto.
No meio da briga, Abel acerta Caim com o cajado que utilizava para guiar seus animais e fica uma grande marca em sua cabeça.


Abel:
Caim, me tira daqui, me tira daqui.

Caim:
Vou provar a você que era tudo mentira.

Caim fere Abel, porém o deixa consciente e vai embora.
Abel em seus últimos momentos de vida, viu as grandes aves se aproximarem por causa do cheiro de sangue.
As aves, ao se aproximarem começam a devorá-lo e Abel, por sua vez, pôde comprovar que Caim estava correto, pena que isto lhe custou a vida.

Adão:
Caim, cadê seu irmão?

Caim:
Eu lá sou babá dele?

Adão:
Não diga isto Caim.
Caim, o que você fez com Abel? Que sangue é este na tua roupa?
Caim, que marca é esta na tua cabeça?
Caim, você matou seu irmão, só pode ser, esta marca é uma marca dos deuses pela morte do seu irmão.
Você merece morrer.

Caim:
Desculpa pai, estou arrependido, sou digno de morte, assim como morreu meu irmão.

Adão:
Não Caim, você não vai ser morto, aquele que te matar será vingado e será morto também.
Some daqui, você não é mais meu filho, para mim você morreu junto a Abel.

The End.

Evaldo Wolkers.

Fonte:http://evaldocristao.blogspot.com/2010/07/caim-o-primeiro-ateu.html

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